Carybé na Caixa Cultural Salvador

A CAIXA Cultural Salvador sedia mostra inédita com marcos da história do Brasil e da Bahia revelados em traços leves, coloridos e minuciosos de Carybé. As exposições “Aquarelas do Descobrimento” e “As Cores do Sagrado” vão reunir cem obras do artista plástico, conhecido por adotar a Bahia como principal fonte de inspiração. A mostra relembra a história do descobrimento do Brasil e as tradições do culto aos deuses africanos no candomblé da Bahia. A curadoria de Solange Bernabó, filha de Carybé, privilegia a sintonia entre os momentos do artista, além da sua técnica. A mostra fica aberta à visitação gratuita entre 08 de abril e 17 de maio

 

Aquarelas do Descobrimento

O registro mais antigo sobre a existência do Brasil, a Carta de Pero Vaz de Caminha, ganhou uma versão em aquarela assinada por Carybé. A ilustração compõe a obra Carta a El Rey Dom Manuel, uma releitura do documento histórico idealizada pelo escritor Rubem Braga e publicada em 1981. Assim nasceram as 50 obras que integram a exposição Aquarelas do Descobrimento.
Em cores vivas e traços leves, Carybé retrata os momentos mais marcantes da narrativa portuguesa sobre o Brasil: a navegação da esquadra; o avistar das terras; o primeiro contato entre portugueses e índios; a troca de culturas; a primeira missa; o pau-brasil. Cenas dos primeiros encontros que, mais tarde, com a contribuição igualmente fundamental dos africanos, daria origem ao povo brasileiro. 

 

As Cores do Sagrado:

Um registro único dos rituais e cultos aos deuses africanos no candomblé na Bahia. As 50 obras que integram a mostra As Cores do Sagrado fazem parte de um universo de mais de 120 pinturas produzidas com a mesma temática, nas quais Carybé contribui de forma ímpar para a preservação dos valores culturais trazidos da África na diáspora. As imagens foram produzidas ao longo de 40 anos de pesquisas, entre 1940 e 1980, e são registros de vivências pessoais do artista nos terreiros que frequentava. As casas estão entre as mais tradicionais da religiosidade de matriz africana, na tradição nagô, jeje e angola.

Uma vez que não é permitido filmar ou fotografar cerimônias do candomblé, a memória fotográfica de Carybé foi o seu principal recurso para retratar com exatidão e riqueza de detalhes as práticas, desde os ritos de iniciação, passando pelas festas e incorporação dos orixás, até os rituais fúnebres, em uma sequência didática dos cultos envolvidos. “Essa mostra não retrata o lado místico, fruto da imaginação de Carybé. Antes disso, é uma representação da realidade, a partir da observação do que, de fato, acontecia nos terreiros. Ele retratava com respeito e beleza as práticas da religião”, explica Solange.

As 50 obras selecionadas foram reunidas originalmente no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, lançado em 1980. Composta por 128 aquarelas de Carybé, com introdução do escritor Jorge Amado e textos antropológicos do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger e do historiador Waldeloir Rego, a publicação representa uma recriação da participação do elemento negro na cultura baiana ao passo que preserva a memória histórica do Brasil, por ter sido a Bahia a primeira porta de entrada da miscigenação no País. Esgotado desde a última edição, atualmente o livro é encontrado apenas nas mãos de colecionadores.

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