Caroline Veilson e Rick Rodrigues | Galeria de Arte Ibeu

Gravuras, bordados e objetos compõem as duas exposições que a Galeria de Arte Ibeu irá inaugurar, simultaneamente, no dia 3 de setembro, às 18h30, sob curadoria de Cesar Kiraly. A gaúcha Caroline Veilson irá apresentar “A chave de casa”, enquanto o capixaba Rick Rodrigues irá inaugurar “Tratado geral das grandezas do ínfimo”. Estas são as primeiras individuais dos artistas no Rio de Janeiro, ambos aprovados pelo Edital de Exposições Ibeu 2019.

Em “A chave de casa”, Caroline Veilson apresenta uma série de gravuras elaboradas a partir de objetos de seu convívio diário que foram ressignificados. A artista reside em um apartamento com pertences de antigos moradores e se inspirou nesses objetos para compor suas obras. Álbuns de fotografia e slides mostraram a ela aspectos que até então não haviam sido notados, revelando a transitoriedade, a paisagem que se modificou e o que foi mantido ao longo do tempo.

“Tirei esses objetos dos roupeiros e armários e deixei-me olhá-los diariamente. Ao interagir com eles me aproprio dessa situação, e os incorporo na minha produção artística, colocando-me a imaginar de onde vieram, a quem pertenceram e como se deram as marcas aparentes em suas superfícies. Resgatar e reapresentar esses objetos é para mim uma forma de apropriação para incorporá-la a minha própria experiência. Retirá-los de seu lugar e de sua função de origem para assegurar a sua existência como objeto estético e artístico em um espaço-tempo”, conta a artista.

Os objetos foram estudados sequencialmente e diariamente, até que fizessem parte da vida da própria artista. Os resultados serão dispostos em séries junto com as suas matrizes. “Trata-se do recebimento, a partir das complexidades contemporâneas à representação, de um mundo em que a vida dentro é ainda composta de cabideiros, cadeiras de madeira escura, guarda-chuvas e cadeiras de balanço”, avalia o curador Cesar Kiraly.

Para compor “Tratado geral das grandezas do ínfimo”, Rick Rodrigues reuniu séries de bordados e objetos inspirados nos poemas de Manoel de Barros, que usa elementos que desvelam sua descendência pantaneira como exposição da origem de sua arte, assim como o artista, que reside em João Neiva, cidade do interior do Espírito Santo. Rick, em seus desenhos, bordados sobre os mais diversos suportes, miniaturas e objetos, revela as memórias da infância, a casa dos avós, as brincadeiras de quintal, as narrativas do chão, os sonhos, desejos e fragilidades. Sua costura dá grandeza às “inutilezas”.

Na exposição, o expectador será convidado a desvendar os diversos mundos do artista capixaba. “Não importa o quão sem alento a pessoa esteja, que os tempos correntes sejam sombrios e as cores esmaecidas, minhas obras levam as pessoas ao encontro das suas memórias mais perfumadas e quentinhas. Às memórias de quando, com 5 ou 6 pauzinhos construíamos nossa casinha; mais alguns tracinhos, uma cerquinha e, com o colorido do lápis, floria-se o jardim no papel”, explica o artista.

Além de obras inéditas, a exposição será composta pelas séries que mesclam bordados, brinquedos e miniaturas, como “Casa de passarinho” (2015/16), “[quase] um lar para habitar” (2017-), “Sobre o descanso” (2018) e “Corpo-casa” (2018).

“O trabalho de Rick Rodrigues é composto de costuras minudenciosas em tecidos de algodão, papel e objetos comuns, como peneiras. A relação com a poesia do Manoel de Barros é evidente no uso do âmbito complementar entre a ternura, a loucura e as memórias reprimidas. É quase impossível não desconfiar da harmonia doce que oferece. Nisso parece sugerir um acesso intrigante à persistência do material infantil nas ilusões da vida adulta”, analisa Cesar Kiraly.

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