Carol Monteiro | MAMAM

A artista pernambucana Carol Monteiro inaugura, no Recife, sua nova exposição, Coração de Pedra. A mostra reúne um conjunto de obras que são o resultado de quatro anos de pesquisa, revelando uma rica zona de intersecção entre arte e moda em uma produção fortemente inspirada na paisagem dos sertões nordestinos.

Ancorada em uma preocupação com a sustentabilidade, Carol utiliza materiais diversos em seu processo criativo, desde pedras de diferentes tipos e formatos encontradas na paisagem sertaneja a fragmentos de ossos de animais e itens garimpados de sucata que foram cuidadosamente reutilizados para compor cada um dos trabalhos expostos. A partir desses elementos, Carol cria uma poética carregada de originalidade e força na busca por uma estética peculiar que remonta suas próprias origens. “Conheci o sertão pelo olhar da minha mãe, sertaneja, que tinha a delicadeza de chamar minha atenção para a beleza de um aboio e, ao mesmo tempo, para a dureza da vida da gente daquele lugar ”, lembra.

Caçula de uma família de oito filhos, a artista conta que aprendeu desde cedo a não desperdiçar e a prolongar a vida dos objetos. As lembranças da infância em Sertânia, no sertão pernambucano, são povoadas pelas imagens das feiras, das rendas de Renascença e do design preciso e orgânico dos utensílios de barro.

O mergulho na pesquisa a conduziu de volta a essas paisagens, em uma jornada de entrega e de redescoberta. Sentimentos nascidos de perdas, decepções e dificuldades em sua própria vida traduziram-se em peças de vestir e decorar, e o que pretendia ser uma janela e um comentário sobre a produção estética do sertanejo se tornou, cada vez mais, uma maneira de olhar a si mesma sob aquela estética.

Nesse terreno simultaneamente árido e cheio de vida, nasceram biojoias e objetos que refletem intensamente um sertão revivido e ressignificado em quatro anos de experimentação e transformação “Compreendi que sou uma pessoa simples e essa simplicidade é o que expresso nessa exposição com muito cuidado. Fiz o máximo que pude com minhas próprias mãos”, resume.

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