Carlos Zilio | Galeria Raquel Arnaud

Carlos Zilio realizou sua última exposição na Galeria Raquel Arnaud em 2016, quando exibiu trabalhos concebidos entre 1973 e 1977. Para a mostra que abre ao público no dia 15 de junho, o artista apresenta um conjunto de telas produzido no período subsequente, entre 1978 e 1986, e que demarca, segundo Zilio, o momento no qual o artista opta pela pintura como o suporte principal de sua atividade artística.

Depois de suas primeiras exposições coletivas e individuais realizadas na primeira metade dos anos 70, quando sua produção é relacionada à arte conceitual, Zilio é convidado a participar da Bienal de Paris em 1976 e acaba por passar um período de quatro anos morando na capital francesa. Nesse momento passa a questionar a história da arte e sua relação com a pintura. Segundo o artista, foi um período em que a tradição era algo a ser recusado diante da tábula rasa que a arte de vanguarda demandava para a constituição do novo. “Minhas experiências vividas nesta fase, bem como o crescente olhar crítico sobre o sentido evolucionista e mecanicista desta concepção de vanguarda, me fizeram rever referenciais sobre arte, passando a privilegiar a pintura como uma prática capaz de estabelecer um vínculo entre a História e o presente, indo no sentido oposto da crença, tão divulgada naquele momento, da morte da pintura”. Esse processo de Carlos Zilio acontece nos anos 70, anterior, portanto, do retorno à pintura proposto pela Geração 80.

Ao privilegiar a pintura, o artista elege a reflexão sobre o ato de pintar como um dos seus principais temas. Partindo desse pressuposto, as nove obras selecionadas refletem seu enfrentamento com questões culturais e de linguagem pictórica. A cor, a densidade da tinta, o formato da tela são temas presentes e que o auxiliam na definição de sua produção. Segundo Zilio, a tela A querela do Brasil (1979) procura definir seus recursos básicos para a pintura: “a demarcação do plano, a colagem e a superfície cromática”, afirma.

Em Tico-Tico no Fubá (1979) Zilio explora a arqueologia da pintura: a linha, o ponto e a curva na definição do espaço. Já em Delírio de Thales (1981) aparece o prazer da pincelada ou, como diz o artista, “uma outra possibilidade da geometria, como se o plano e a reta fossem transgredidos por curvas cromáticas que anulam os limites da tela numa continuidade incessante”, completa. Vale ressaltar ainda A queda do tamanduá (1986), obra que alude ao icônico animal, recorrente em sua produção e presente no imaginário do artista carioca desde a sua infância. Segundo Zilio, tal obra vislumbra o longo período de abstração que se iniciaria pouco depois.

O que interessa ao artista é, sobretudo, a temporalidade que a pintura tem na história da arte, sua potencialidade transhistórica. “Está no passado e no presente, permitindo sucessivas retomadas sempre carregadas de uma alta carga de expressão, e isso que me fascina”, completa Zilio.

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