Carlos Vergara | Bolsa de Arte de Porto Alegre

Carlos Vergara Sem título, 2016

Carlos Vergara abre na filial gaúcha da Galeria Bolsa de Arte, exposição individual que inclui pinturas e esculturas. “Trata-se de uma afirmação da pintura como procedimento, mesmo quando inclui monotipia ou outra forma de registro de imagem, mas sempre buscando um acontecimento único e novo”, diz Vergara. As cerca de 20 obras seguem em exibição até o dia 12 de maio.

“Vários podem ser os pretextos [para a elaboração das obras], como um canto de paisagem esquecido, escondido, uma implosão, um telhado visto por baixo, algo que possa estruturar uma ação sobre o suporte, na busca de um novo tipo de beleza, inédita. Um trabalho construído para se ver pensando”, afirma Vergara.

Ao longo da exposição, a ideia é que o espectador busque novos caminhos para o ato de olhar. “Ao nos depararmos com os trabalhos de Vergara nosso olho faz essa operação química, entre o que se vê e o processo que deflagra na mente que imagina. A sua obra provoca um estranhamento no espectador desavisado. Ela nos impõe uma barreira, um obstáculo que deve ser vencido. Não existe em sua produção, de forma geral, um momento que permita o acesso facilitado por suas idealizações. (…)”(Juliana Rego Ripoli no livro Carlos Vergara, Automática Edições, 2013).

A natureza aparece em todo o percurso das obras de Vergara. Se serve como pretexto, serve também muitas vezes como matéria-prima, e está presente já na composição dos materiais empregados pelo artista. É o que acontece, por exemplo, com algumas das monotipias de Vergara, nas quais usa pigmentos naturais mesclados com industriais.

Desde o fim dos anos 1980, Vergara emprega pigmentos naturais e minérios, com os quais produz a base para trabalhos em superfícies diversas. Em 1997, o artista realizou a série Monotipias do Pantanal, na qual transferiu para a tela texturas de pedras ou folhas, entre outros procedimentos.

Sobre elas, diz Juliana Rego Ripoli: “Tanto as monotipias – esse processo de decalque da natureza no qual o pigmento, a cor, a textura e os materiais que vêm da terra constroem uma nova forma de expressão para a pintura –, quanto as pinturas e as esculturas fazem uso da natureza como matéria. Ambas estão impregnadas de um gesto que as qualifica com uma força vital sem tamanho, um diálogo entre natureza e a expressão artística que reavaliam a nossa experiência com o mundo, pois solicita que o nosso olhar se torne mais sensível para situações que, por estarmos tão absortos em nós mesmos, nem percebemos”.

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