“Canção do Exílio” e “Abissais” | Galeria de Arte Ibeu

O calendário de novembro da Galeria de Arte Ibeu traz as aberturas simultâneas das exposições “Canção do Exílio”, de Inês Cavalcanti, e “Abissais”, de Ni da Costa, ambas aprovadas pelo Edital de Exposições Ibeu 2018. As duas mostras têm curadoria de Cesar Kiraly e ficam em cartaz até 7 de dezembro. A entrada é franca.

Em “Canção do Exílio”, Inês Cavalcanti apresenta uma sutil versão do Brasil contemporâneo, em saquinhos de chá, a partir do poema homônimo de Gonçalves Dias, com peças elaboradas no período entre 2013 e 2018. Na mostra, a sonoridade do texto, a redondilha dos versos curtos e a repetição de imagens dão o tom da narrativa poética do trabalho da artista. Além disso, o sentimento de desterro alinhavado e bordado forma, lentamente, a costura de fragmentos de uma memória idealizada.

“Para apresentar este Brasil, a artista prolifera unidades de tecido a serem associadas em alegoria ao potencial de preenchimento que a precariedade é obrigada a aprender a ter. O mesmo é feito com inúmeros saquinhos de chá secos com desenhos a nanquim. Os sentimentos são mostrados equivalentes como a Palma Mater decapitada por um sardônico raio”, avalia o curador Cesar Kiraly.

Para simbolizar a misteriosa profundidade do oceano, a artista Ni da Costa –  que já participou de Novíssimos em 2000, voltando à galeria após 18 anos – deu o nome de “Abissais” à mostra que retrata a metade de pessoas imersas ou flutuantes e peixes estranhos repletos de cores vívidas. Segundo o curador, a noção é que a resistência à profundidade implica certa dose de adaptabilidade que torna as criaturas curiosas e divertidas. Às pinturas, feitas com técnica de lógica assemelhada à gravura, são somados pequenos objetos que reinventam nudibrânquios: adoráveis moluscos coloridos que se camuflam entre corais.

“Abissais são aqueles seres que resistem a profundidades assustadoras. Para suportá-las, precisam assumir formas estranhas, camuflagens inusitadas e cores muito vívidas. Se peixes, provocam ternura pelo ar circunspecto. Se moluscos, tendo perdido suas conchas à evolução, se ameaçados, são amigos que secretam ácido sulfúrico e buscam a proteção de queimantes anêmonas. Nessas pinturas, em que as pessoas são mostradas às metades, é o oceano infindo que lhes confere potencial. Ainda que à superfície, se incentivadas, o que não poderiam com um pouco mais de fôlego?”, analisa Kiraly.

 

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