Camille Kachani | Zipper Galeria

“Solilóquio”, terceira exposição individual de Camille Kachani na Zipper Galeria, se estrutura a partir de diálogos: primeiro, do artista consigo próprio, como o título da mostra sugere (um ato de verbalizar, em primeira pessoa, aquilo que se passa na consciência do anunciador); segundo, do artista com diversos momentos da arte contemporânea, estabelecendo relações entre as produções de Kachani e a de outros artistas; por fim, da natureza com a civilização, aqui numa revisão crítica em relação a, muitas vezes, este diálogo ser simplesmente impossibilitado. Com curadoria de Taisa Palhares, a mostra inaugura no dia 05 de setembro e reúne nova série de esculturas relacionadas a processos de transformação e deslocamentos.

Em sua exposição anterior na galeria – “Encyclopaedia Privata”, 2016 –, Camille Kachani partiu da memória para refletir sobre a formação da identidade. Agora, esta reflexão é expandida: em que ponto nos situamos entre sermos entes tecnológicos e entes pertencentes à natureza? “Os materiais e soluções estéticas utilizados parecem ecoar a incompatibilidade entre preservação e exploração dos recursos disponíveis. Esta série de trabalhos, revela a impossibilidade de diálogo entre a civilização e a natureza. Esta cisão, mesmo que não absoluta ou definitiva, evidencia o profundo antagonismo de interesses entre estes polos”, analisa o artista.

Em “Solilóquio”, procedimentos diversos são aplicados nas esculturas, de modo a incitar os debates propostos pelo artista. A organicidade da madeira é substituída pela racionalidade formal; a geometria dos cubos ganha a distorção dos seres viventes; ícones da pintura ocidental são atravessados por formações orgânicas, como se elas próprias contivessem o germe de sua destruição. Aqui, o fio condutor não é plástico, mas conceitual: das formas improváveis que adquire a madeira, tudo aponta para uma equação em aberto, em que a busca por um denominador comum permanece como uma pretensão ilusória, ainda que necessária.

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