C A M P O | EAV Parque Lage

Um campo pode ser pensado como a atribuição de uma quantidade física em todos os pontos do espaço e do tempo. Pensar a escola como um campo de forças dinâmicas, por onde passam muitas pessoas, que afetam e são afetadas a partir do fluxo de encontros ali proporcionados, foi o ponto de partida do curador Ulisses Carrilho para criar a exposição “Campo”. Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini são os artistas e ex-alunos convidados a interpelar a noção de espaço em suas obras, a partir de diferentes campos.

O geógrafo brasileiro Milton Santos define o espaço como uma acumulação desigual de tempos. A partir dessa perspectiva, Carrilho incluiu a noção de tempo na mostra, definindo-se aí o eixo temático que norteia a nova exposição.

A curadoria selecionou basicamente uma obra ou série de cada um dos seis grandes nomes já citados, que interpelam a noção de espaço e revelam a relação de seus autores com a EAV Parque Lage. A exposição “Campo” representa um retorno destes artistas à instituição que, de diferentes formas, atravessa suas trajetórias como um espaço relevante e singular, uma ordem de forças.

A EAV vem discutindo de forma constante e ativa a pedagogia de uma escola de arte. Quando o artista deixa de aprender? Como é o processo de aprendizagem? Qual a relevância dos espaços de formação para os artistas e para o pensamento deles? São os artistas que fazem a escola, ou a escola faz o artista?

Se as forças são dinâmicas, entende-se que a Escola de Artes Visuais constituiu-se, com toda a sua potência, a partir dos artistas que por lá passaram. Partindo mais uma vez da Física, a determinação de uma força resulta da intensidade, direção e sentido que atuam sobre o objeto.

É nesse contexto de absoluta correlação de forças e afetos, que as obras serão exibidas. O trabalho de Ernesto Neto desafia o campo gravitacional e provoca os sentidos, exaltando tudo aquilo que excede. A série de piscinas de Adriana Varejão, que explora o conceito de força centrípeta, vai dialogar com a piscina do palacete, sem literalidades. Beatriz Milhazes trabalha com a verticalidade em rara instalação tridimensional. Luiz Zerbini traz a potência da floresta em série de 16 monotipias criada para ilustrar “Macunaíma”, de Mario de Andrade (o filme foi rodado no Parque Lage há exatos 50 anos). Tijolos feitos a partir de convites de exposições erguem a parede de Daniel Senise, exposta anteriormente na 29ª

Bienal de SP (2010), questionando o próprio campo da arte. E a filosofia ornamental de Laura Lima ocupará a capela das cavalariças, com uma série de trabalhos/instaurações que tensionam o espaço da arte.

O programa público, que seguirá em paralelo à exposição, consiste em criar uma série de entrevistas com os seis artistas e críticos convidados, com quem trabalharam recentemente. As entrevistas serão produzidas ao vivo na EAV, abertas ao público, com interlocução. Além disso, será desenvolvida uma plataforma de conteúdo para os arquivos da instituição, a partir da vivência com os artistas.

A exposição “Campo” é patrocinada pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, de forma independente, sem qualquer incentivo ou lei de isenção fiscal.

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