Bruno Faria, Rafael Alonso e Regina Vater | MAC Niterói

A Varanda e o Salão Principal do MAC Niterói vão estar totalmente ocupados com obras, fazendo um verdadeiro Percurso artístico, que se complementa com a bela vista para a Baía de Guanabara. São elas: “Oxalá que dê bom tempo”, de Regina Vater; “Versão oficial”, de Bruno Faria; e “Don’t you (Forget about me)”, de Rafael Alonso. A curadoria é de Pablo León de La Barra e Raphael Fonseca.
Em “Oxalá que dê bom tempo”, a importante artista carioca Regina Vater apresenta uma retrospectiva da sua longa carreira, que tem mais de cinquenta anos. A exposição conta essencialmente com cinco diferentes áreas do trabalho de Vater: uma parede com trabalhos apenas dos anos 1960 – com uma série de gravuras chamada de TROPICÁLIA; a reconstrução de uma escultura mostrada na Bienal de São Paulo de 1969 – chamada MULHER MUTANTE; um trabalho em vídeo-objeto – VIDE O DOLORIDO; uma série de fotografias intitulada TINA AMÉRICA; a série de fotografias COMIGO NINGUÉM PODE – produzida em torno de 1980; a série de fotografias NATURES MORTES –produzida há cerca de 30 anos; a  instalação OXALÁ QUE DÊ BOM TEMPO; três vídeos: VIDE O ART, DANCING TO THE GODDESS e MEGARON; entre outros trabalhos, que ocuparão o Salão Principal. Importante ressaltar que a maioria destas obras nunca foi mostrada no Brasil antes.
Na ocasião, haverá, ainda, o relançamento do livro X–Range, que foi concebido por Regina Vater e publicado originalmente em 1977, pela Galería Artemúltiple, em Buenos Aires, Argentina.
Esta reedição do projeto – da Ikrek Edições, 2017 –, cujos editores são Luiz Vieira e Pedro Vieira, visa colocar novamente em circulação esta obra, que marca as práticas do período e que se tornou também um documento.
Em um único objeto, agrega práticas experimentais de Regina e o ambiente doméstico de artistas como Hélio Oiticica, John Cage, Lygia Clark e Vito Acconci. O álbum é composto por 8 lâminas com fotos das casas de Hélio Oiticica, John Cage, Lygia Clark e Vito Acconci e poemas para cada um dos artistas.
Ocupando parte da varanda do museu está Bruno Faria com a sua “Versão oficial”, uma instalação com dimensões variadas de 2014 a 2017. Trata-se de uma versão reduzida com 88 vinis da sua instalação INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA ARTE BRASILEIRA. Nesse trabalho, o artista reúne discos cujas capas foram feitas por artistas brasileiros, entre os anos 1960 e 1990. A relação entre design, artes visuais e censura (visto que muitos dos vinis foram censurados durante a ditadura) se faz presente.
Em diálogo com a exposição de Regina Vater, o artista propõe um trabalho novo chamado “Versão oficial” – também título da exposição – e que parte de um fato histórico no qual a artista Regina Vater, em 1968, foi convidada para realizar a capa do disco Tropicália ou Panis ET Circensis – de Caetano, Gal, Gilberto Gil, entre outros.  Esta capa, porém, não foi publicada e a versão de Rubens Gerchman foi a que ficou conhecida. Para a criação da obra, o artista solicitou a colaboração de Regina que refez o desenho, já que o mesmo se perdeu – a artista o viu pela última vez, em 1972, emoldurado na parede da gravadora Philips. Então, Bruno apresenta, na mostra, a capa que seria a verão oficial. Daí o nome da exposição e da obra, que é acompanhada de um aparelho de toca-discos, o que propiciará ao público ouvir Tropicália.
Dividindo o espaço da varanda com Bruno, está o Niteroiense Rafael Alonso com a sua individual “Don’t you (forget about me)”. Tendo em vista a experiência e a trajetória do artista como pintor e, mais do que isso, como alguém nascido e criado em Niterói, Rafael compartilhará com o público uma série de 7 gravuras digitais que vem do interesse na relação entre pintura e paisagem. Majoritariamente um pintor que lida com a abstração e com cores fortes, Alonso apresentará, no museu, uma série, que estabelece uma referência com tipo de visualidade dos anos 80 e 90, mas que a geometria sugere algumas relações com a paisagem que o público vê pela varanda – ou seja, as imagens da própria cidade de Niterói.
Ao optar por não mostrar óleos sobre tela, mas impressões digitais coladas em madeira, as tradições de cartazes de turismo e mesmo de cinema tão comum aos anos 1980 será ecoada nessa série de imagens. Por fim, o próprio título da exposição vem de uma famosa música do Simple Minds, de 1985, “Don’t you (forget about me)”.

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