Bruno Dunley e Fabio Miguez | Galeria Nara Roesler São Paulo

A Galeria Nara Roesler apresenta em seu espaço paulistano duas mostras individuais e simultâneas de artistas que têm em comum a pintura como recurso central em suas trajetórias: No Meio, de Bruno Dunley e Fragmentos do Real (Atalhos), de Fabio Miguez. Ambos pertencem a gerações marcadas pela retomada da pintura, 2000 e 80 respectivamente, e compartilham referências históricas do universo pictórico. Todos estes aspectos serão abordados em uma conversa aberta ao público entre os artistas e os críticos Rodrigo Moura e Tadeu Chiarelli, no dia 04 de agosto, sábado, às 11h.

Bruno Dunley – que no início de 2018 lançou o seu primeiro livro homônimo pela Associação para o Patronato Contemporâneo – APC e realizou a sua primeira individual no espaço da Galeria em Nova York – apresenta agora em São Paulo, No Meio, exposição que reúne cerca de 24 obras de diferentes dimensões, realizadas de 2015 a 2018, acompanhada de texto de Tadeu Chiarelli.

A partir do oceano de imagens que atinge a todos, o crítico aponta que os artistas reagem de diferentes maneiras diante desse cenário. “Há aqueles que se afogam com prazer nas águas turvas da internet, à caça de ícones passíveis de serem processados e tornados ‘obras’, e aqueles que, como Dunley, mesmo que também envoltos nessas mesmas águas e levados a nelas buscarem o alimento para suas produções, resistem a se deixarem afogar pelas correntezas do inócuo que governam as profundezas desse oceano”.

Chiarelli destaca a pintura que dá nome à mostra, No meio (2016), por ele entendida como um emblema dos artistas que resistem à naturalização desse excesso imagético. “No meio apresenta-se como um espelho que aparentemente nada reflete e onde está escrita a expressão ‘no meio’ (escrita, não refletida)”.

Para o crítico, a produção do artista nos últimos anos está repleta desses tipos de espelhos que não refletem o mundo, mas que marcam um lugar preciso no centro de muitas de suas pinturas. “Produzindo essas obras que se situam entre a afirmação do fazer pictórico e a presença de signos provenientes daquele mar de imagens tornado, em definitivo, a nossa nova primeira natureza, Dunley parece encontrar nesses espelhos cegos que produz a última fortaleza, ou a última lanterna a servi-lhe de guia para não submergir em definitivo”.

Por sua vez, a exposição Fragmentos do Real (Atalhos), individual do artista Fabio Miguez, apresentada de março a maio de 2018 no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, chega à Galeria Nara Roesler | São Paulo, na ocasião do lançamento do livro Atalhos (bilíngue, editado pela APC, 142 págs., R$ 70,00) que, assim como a exposição, tem texto de Rodrigo Moura.

Na mostra são apresentadas cerca de 60 telas em pequenas dimensões que revelam a prática pictórica quase diária do artista, em uma relação de complementaridade com as grandes telas. “Um elogio ao pequeno formato, onde os desafios surgem e desparecem em tempos breves e sem a gravidade reservada aos processos temporais expandidos”, escreve Moura em seu texto sobre a exposição.

A série aponta mais uma vez o diálogo que o artista constrói, ao longo de sua trajetória, entre bidimensionalidade (pintura) e tridimensionalidade (obras escultóricas), ao transitar de um suporte ao outro, ampliando a reflexão sobre a pintura contemporânea.  Em seu texto Moura destaca que nestas pinturas Miguez isola determinados elementos de sua obra, criando pequenas unidades de linguagem que se singularizam em cada quadro – para depois se repetirem em subséries de variações formais e cromáticas.

 

Compartilhar: