Ayrson Heráclito e Vívian Caccuri | Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Na exposição “Senhor dos caminhos”, no Salão principal do MAC de Niterói, Ayrson Heráclito leva ao museu uma série de novos trabalhos feitos na linguagem do vídeo e da fotografia.  O artista segue, com sua pesquisa em torno das maneiras de trazer para a contemporaneidade elementos sagrados das religiões africanas com uma linguagem que geralmente está na fronteira entre o documental e o ficcional. Há um claro diálogo da pesquisa do artista com certa perspectiva espiritual e transcendental, mas sempre a afirmar seu lugar urbano e precário. Essa exposição está baseada em dois elementos centrais. Trata-se de uma homenagem ao orixá Ogum, reconhecido nas religiões afro-brasileiras como o “senhor dos caminhos”.  Na mostra, duas grandes vídeo-instalações. Em uma, há um trem filmado em Cachoeira, na Bahia e, ao seu lado, outro vídeo em que aparece um ferreiro. Em outros dois, podem ser observados detalhes de uma feijoada sendo cozinhada. Em segundo lugar, outros três vídeos, também inéditos, partem da leitura feita pelo artista do livro ‘História do futuro’ (escrito em 1649 e publicado em 1718), do padre Antonio Vieira. A publicação, que chegou a ser acusada de heresia, devido à sua linguagem livre e cheia de teorias filosóficas, faz um elogio ao império português.

Já em “Água parada”, Vívian Caccuri, ocupará a varanda do museu, dando prosseguimento à sua pesquisa sobre o som e como ele pode afetar de diferentes maneiras o corpo humano e sua experiência estética. Por meio de caixas de som espalhadas no espaço, a artista apresenta uma trilha inédita feita a partir dos ruídos de mosquitos. No último ano, Vivian tem investigado as relações de veneração e medo proporcionados pelos mosquitos em diferentes culturas, em especial no Brasil e na África.

Ambas as exposições têm curadoria de Pablo León de la Barra e Raphael Fonseca.

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