Áurea Camelo | Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

Memória, passagem do tempo e esquecimento. Esse foi o caminho percorrido pela artista plástica Áurea Camelo ao criar as obras que compõem a exposição “Desmemórias”, em cartaz na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. A mostra conta com uma sequência de 14 pinturas, criadas em óleo ou acrílica sobre tela, em formatos variados.  A artista busca nos álbuns de família e em fotografias recolhidas de seu acervo pessoal as imagens que serão trabalhadas em suas pinturas, e passa para a tela, pictoricamente, o seu repertório de lembranças e a poética do esquecimento. A mostra, com entrada gratuita, fica aberta à visitação até 26 de setembro.

A exposição aborda o inevitável processo de apagamento da memória. Em suas telas, Áurea Camelo acentua a efemeridade das imagens e limpa das figuras os traços de representação naturalista que as personifiquem ou lhes confiram identidade: os rostos estão sem formato definido, como se estivessem sido desconstruídos pelo tempo. Segundo a artista, a intenção não é representar a memória apenas como uma tentativa de conservação da lembrança e de tudo que ela significa. “Meu trabalho traz para o plano da plasticidade da pintura a questão da impermanência, da transitoriedade, da escassez do tempo e da mistura entre o esquecimento e recordação. Dessa forma, o que de início seria chamado por ‘memória’ passou melhor a se identificar como des-memória”, explica.

A escolha do tema da série veio de maneira natural para a artista a partir de cenas do cotidiano, que provocaram o desejo de pintura e partiram de escolha feita em coleções de fotografias já existentes ou recentemente produzidas. A técnica utilizada propôs-se a ser aberta a experimentações, assim como os suportes. “O nome que encontrei para minha pesquisa de trabalho somou-se ao desvanecimento, à opacidade e à textura das tintas para representar aquilo que, acontecido, já se torna passado, e mas retorna em cor, camadas e movimentos, compondo o plano pictórico”, conta Áurea.

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