Arte Naïf – Nenhum museu a menos | Parque Lage

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) abrirá a exposição-manifesto “Arte Naïf – Nenhum museu a menos”, com curadoria de Ulisses Carrilho e patrocínio cultural de FURNAS, no dia 11 de maio de 2019. A mostra, que receberá mais de 300 obras da coleção Lucien Finkenlstein e ocupará as cavalariças e o palacete, marca a posição da EAV em favor das instituições culturais brasileiras e sua liberdade de expressão.

Parte do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil (Mian), que inclui obras nunca expostas publicamente, será exibida em diálogo com o trabalho de 38 artistas contemporâneos, entre eles Barbara Wagner & Benjamin de Burca, Barrão, Carmela Gross, Efraim Almeida, Erika Verzutti, Leda Catunda, Marcos Chaves, Nelson Leirner, Rosangela Rennó, Véio e Yuri Firmeza.

A EAV defende instituições culturais e espaços expositivos como zonas de aprendizagem e trocas de conhecimento, bem como territórios de confrontamento e dúvida. A exposição “Arte Naïf – Nenhum museu a menos”, que tem projeto gráfico concebido por Rafael Alonso, toma por empréstimo este lema em favor dos museus brasileiros, para afirmar uma causa.

É urgente a adoção de medidas de proteção aos equipamentos públicos e seus acervos históricos, principalmente quando sofrem de vulnerabilidade frente a outras manifestações artísticas. Em 2018, o Brasil foi afetado pela maior catástrofe museológica de sua história, de irreparáveis perdas para a humanidade. Falta de verba e manutenção mantém 261 museus fechados no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Museus, o número representa 7% do universo de 3.789 instituições do país.

Fechado desde dezembro de 2016, o Mian funcionou por 21 anos no Cosme Velho, na zona sul carioca, com um acervo permanente de 6 mil pinturas, de artistas de 120 países. A maior coleção do gênero no mundo inclui preciosidades que nunca foram expostas, como seis telas do artista mineiro Ricardo Ozias, pintadas com os dedos e escovas de dentes, a pedido de Lucien Finkelstein, fundador da instituição.

As pinturas da arte naïf frequentemente narram o cotidiano e o extraordinário que se aloja nele. Ritos e festas populares, experiências de trabalho, convívio social e lazer, esportes e paisagens naturais, manifestações religiosas e espirituais são recortes frequentes. Chamados artistas naïf, os autodidatas (do fazer artístico sem escola ou orientação) foram frequentemente ligados à arte popular e à arte bruta, esta que define a expressão dos inadaptados, dos loucos, médiuns e alienados em geral.

“Em 2019, faz sentido atualizar esta noção, aliando-se às pautas feministas e antirracistas, à luta antimanicomial e às narrativas decoloniais, que revisam as histórias ligadas à formação do país. Resta o compromisso com o arrojo daqueles artistas que formaram-se por uma prática livre. Tais medidas singularizam esta mostra a partir da EAV Parque Lage, criada em 1975 para ser uma escola de vanguarda, atenta às questões brasileiras e antropológicas, sensíveis às demandas da sua comunidade e de seu tempo”, afirma Ulisses Carrilho, curador da EAV Parque Lage.

 

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