Arte e Ativismo na América Latina (2016) | Despina

Jesus Bubu, Negron Work Foto: Fred Pellachin

A exposição ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA apresenta um conjunto de trabalhos especialmente desenvolvidos pelos artistas Crack Rodriguez, Jesus Bubu Negrón e Luciana Magno nos ateliês da DESPINA, no Centro, durante o período de residência no Rio de Janeiro. Entre obras audiovisuais, instalativas e performáticas, destacam-se os registros das ações públicas que respondem ao calor do momento político que mobiliza o debate em território nacional e, sobretudo, na cidade.

Sob concepção e direção de Consuelo Bassanesi e suporte curatorial de Bernardo José de Souza, ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA é uma iniciativa da DESPINA em parceria inédita no Brasil com a organização holandesa Prince Claus Fund.

Enquanto as ações e performances aconteceram no espaço público – mote das residências e debates realizados neste primeiro ano do projeto -, a mostra no espaço expositivo da DESPINA apresentará registros em vídeo das performances, elementos residuais das experiências nas ruas e obras escultóricas e instalativas que remetem às pesquisas levadas a cabo pelo grupo de artistas em seus dois meses no Brasil.

Inspirado nas fanfarras e blocos carnavalescos cariocas, Jesus Bubu Negrón orquestra um ato performático que explora a “surdez” e o “mutismo” que caracterizam a ausência de transparência nas informações e o desprezo pelas vozes minoritárias no Brasil contemporâneo. Neste sentido, tambores e trombones são tocados sem que seja possível ouvir as batucadas, produzindo, assim, um descompasso entre a tensão dos movimentos desempenhados pelos músicos e a ausência absoluta do som.

Crack Rodriguez parte das manifestações que acaloraram confrontos entre policiais, professores e estudantes em cidades brasileiras que se deram na esteira da ocupação de escolas públicas em 2016 e que ganharam fôlego renovado recentemente em função da MP 746, que revê o programa de ensino médio no país. Utilizando carteiras escolares como elemento escultórico e performático, o artista de El Salvador promove um movimento de queda coletiva simbolizando a derrubada das estruturas verticais de poder nas instituições de ensino.

Já Luciana Magno estabelece uma crítica direta ao sistema político em vigor no Brasil, o qual enseja a formação de siglas de aluguel sem efetiva representatividade popular e reflete o absoluto descompromisso com programas políticos de clareza ideológica. Em meio às turbulentas eleições municipais – que se desdobram pari passu ao recente processo de impeachment de Dilma Roussef e às investigações da Lava-jato -, a artista do Pará lança o partido político BLA (Brasil Libertário Anárquico), o qual desloca-se pela cidade, entre comícios e outras manifestações de rua, difundindo seu discurso indecifrável e suas palavras de ordem na expressão da onomatopéia BLÁ-BLÁ-BLÁ, que serve como sigla para a agremiação de caráter anarquista.

Com duração de três anos, o projeto ARTE E ATIVISMO NA AMÉRICA LATINA reúne artistas-ativistas do país e de outros países Latino-Americanos para residências artísticas com duração de dois meses a cada ano. Sua programação inclui palestras, workshops gratuitos, visitas a escolas, ações públicas e, ao final, uma exposição com as obras produzidas no período a partir de um tema sugerido. Os custos de participação são totalmente cobertos pela Prince Claus Fund como parte de seu Network Partnership Programme, do qual a DESPINA agora faz parte.

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