Arcangelo Ianelli | Simões de Assis Galeria

A exposição “Ianelli: obra voltada à percepção” traz esculturas, pinturas e pastéis, realizados pelo artista dos anos 1970 a 2.000, entre a maturidade artística e o apogeu de sua obra. Arcangelo Ianelli trabalhou com a figuração e a abstração de forma pragmática, sempre em busca de desafios. Ao longo de 60 anos, Arcangelo expressou-se de forma multidisciplinar. No desenho e na pintura, experimentou diferentes técnicas como o carvão, o grafite, a gravura, o guache, o pastel, a pintura a óleo e a têmpera a ovo; e na escultura usou madeira, mármore e ferro.

Ele nasce em São Paulo em 1922, em plena eclosão do Modernismo e começa a pintar aos 21 anos, em 1944, no apagar das luzes da Segunda Guerra Mundial. Sua trajetória tem tudo a ver com as mudanças estéticas pelas quais a arte no Brasil passou a partir do projeto modernista, seguido do advento dos museus, das bienais, e na sequência, das celeumas entre abstração informal e geométrica. Marcado por operações de passagens difusas e graduais, seu percurso assinala um vai-vém constante entre a figuração e a abstração, seguido da clara opção de adotar o projeto racional do Modernismo quando a obra amadurece, na entrada dos anos 1960.

Desde o início ele já entrelaçava as cores com a estrutura ortogonal, traço fundante em sua obra. É interessante notar como ele opera. Embora geométrico, Ianelli não adota o uso da cor chapada, pura, como faziam os artistas do Concretismo em São Paulo. Afastou-se das visões maniqueístas ou por demais positivistas das tendências construtivas, refutando os rótulos de Concreto ou Neo Concreto para a sua obra; Ianelli prezava muito a liberdade de expressão.

A origem do trabalho escultórico pode ser constatada no final dos anos 1960, quando abre rumo à fase dos Grafismos na pintura. A epiderme da tela se adensa, as texturas e a espessura da tinta criam volumes que parecem querer se deslocar da superfície planar para lançar- se ao solo fluído do espaço e em 1975, o artista realiza o primeiro painel de relevos geométricos para a fachada do Ed.Diâmetro, na AV.Faria Lima em São Paulo.

A partir dos anos 1980 as questões passaram a ser tonais e espaciais, a dimensão das telas se ampliou. A pintura, aonde Ianelli já tratava o espaço de maneira peculiar, ganhou então ainda mais profundidade. O aspecto aveludado da cor nesta fase fez com que o crítico Frederico de Morais se referisse às suas Vibrações como “carícias táteis”.

Simultâneamente à pintura, a produção tridimensional ampliou-se e firmou-se em sua obra a partir de 1992. Este fato surpreendeu a crítica na época, mas não deveria haver surpresa em relação ao seu trânsito com as diferentes linguagens. Se o desenho é coisa mental, como dizia Da Vinci, então o saber desenhar se converte num poder, o poder de atuar com todas as linguagens da arte.

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