Antonio Saggese | Paço Imperial

Com percurso consagrado na fotografia desde os anos 1970, Antonio Saggese surpreende nas novas séries em que articula diálogos expressivos entre a fotografia e outras linguagens.

Hiléia, composta por registros obtidos em viagens à região Amazônica nos últimos quatro anos, vem impregnada pelas tradições da gravura, ponta-seca e bico de pena. As ferramentas contemporâneas introduzidas com os equipamentos digitais são os auxiliares do artista nessa incursão, que caminha na contramão da fotografia-clichê produzida hoje. Contemplado com o Prêmio Brasil de Fotografia na categoria Ensaio Impresso de 2017, cada imagem da série nos convida a fluir pelos detalhes da cena, sem que nosso olhar se detenha em um ponto de tensão.

As experiências inéditas de Yg – palavra tupi para água – nos permitem penetrar nos igarapés e igapós tendo o líquido como espelho a multiplicar a cena qual caleidoscópio. Rompe com a estrutura céu-terra-horizonte do tradicional gênero paisagem. O trabalho se constitui por fotografias realizadas com um olhar despido da gramática da linguagem fotográfica vigente, com recursos do sfumato e meios tons para criar volumes, optando sistematicamente pela frontalidade do assunto.

Os recursos utilizados por Antonio Saggese encadeiam novas dinâmicas de produção de imagem e permitem, paradoxalmente, a recuperação de determinadas tradições estéticas. O tratamento da imagem remete às figurações de época, numa confluência entre o moderno e o arcaico, introduzindo uma chave essencial para compreensão do universo contemporâneo.

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