Anna Bella Geiger | Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – Galeria Marcantonio Vilaça

© Divulgação

Foram vinte anos procurando como abrigar mapas que sinalizassem tesouros interiores de uma artista, mulher, esposa, mãe de quatro filhos, cidadã do mundo, Anna Bella Geiger, um dos mais importantes nomes das artes plásticas do país. Mapas-múndi refletindo, registrando, traduzindo geografias de pobreza e riqueza, poder e dominação, ideias e afetos. Geografias com limites físicos, obras fronteiriças. Mapas pelos quais é conhecida no mundo inteiro. Em 1995, finalmente, a artista encontrou, em gavetas velhas de arquivos sendo vendidas como sucata, os contêineres perfeitos para mergulhar – entre ceras e tintas – conjecturas ideológicas tangenciais a trabalhos de geógrafos e pensadores. Entre os geógrafos, alguns do IBGE e o marido Pedro Geiger, com o qual está casada há seis décadas. Entre os pensadores, Darcy Ribeiro.

Foi assim que nasceram ou foram abertas as “gavetas de memórias”. Três dessas gavetas – “RecensOrbisDescriptio – Local e Global, 2015”, “Mapa Mundi com 2 Ventos, 2015” e “OrbisDescriptio com turbulência e seis anjos, 2015” – serão expostas pela artista a partir do dia 22 de julho, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá. A mostra “Gaveta de memórias” é um presente que Anna Bella Geiger oferece ao público em seus 60 anos de carreira. A exposição inclui também um vídeo documental de 25 minutos, que estará sendo exibido em looping na galeria.

No vídeo idealizado e dirigido por Julio Augusto Zucca, são reveladas as ideias e as formas pelas quais a artista realiza seu trabalho. Imagens registram a criação da gaveta que estará em exposição e momentos da produção artísticade Anna Bella Geiger: suas idas às ruas para comprar objetos, a preparação dos materiais e o momento da criação da obra – uma gaveta de ferro antiga de arquivo preenchida com cera, que serve de suporte para mapas e outros objetos produzidos pela artista. O vídeo foi realizado pela Zucca Produções.

A mostra ficará em cartaz durante um mês e vai se completar com o espetáculo “Solos de memória”, uma performance teatral inspirada na obra de Anna Bella Geiger, com a qual interage partindo da ideia da “gaveta” que guarda um mapa de memórias.

A partir da provocação da idealizadora e diretora do projeto, Morena Cattoni, de que “estar vivo é acumular memórias”, os atores Daniel Chagas, Gisela de Castro, Marcéli Torquato e Natasha Corbelino apresentam seus próprios textos em “Solos de memória”, que estreia no mesmo Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no dia 3 de agosto. Tanto as entradas para a exposição quanto os ingressos para a peça são gratuitos.

Esse projeto combinando teatro e exposição teve sua primeira realização no Castelinho do Flamengo, em 2015, graças ao Edital de Fomento à Cultura da Prefeitura do Rio. Depois disso, o projeto venceu o Edital FOMENTO OLÍMPICO, também da Prefeitura do Rio e venceu o Edital de Ocupação da CAIXA, para realização em Brasília, em maio/junho de 2016.

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