Angelo de Aquino | A2 + Mul.ti.plo

A A2 + Mul.ti.plo, única galeria de arte contemporânea em Petrópolis, abre no dia 15 de junho de 2019, uma exposição com obras de Angelo de Aquino (1945 – 2007). A ideia da mostra é descortinar uma das fases mais potentes do pintor e desenhista, mas ao mesmo tempo pouco conhecida pelo público. Quem assina a curadoria é Eduarda de Aquino, filha do artista e responsável pelo acervo. São cerca de 20 pinturas feitas ao longo de duas décadas, quando ele deixa a arte conceitual e volta para os pincéis, momento de grande força poética. A mostra “Paisagens Imaginárias” fica em cartaz até 21 de julho, no Vale das Videiras, com entrada franca.

Trata-se de um recorte específico de uma produção extensa e variada que acabou ficando marcada pelo cão Rex, personagem que habitou os quadros de Aquino a partir da década de 90. “Vamos mostrar obras das décadas de 80, quando ele deixa o pensamento conceitual e parte para um desenho livre, onde não havia nenhum tipo de limite, nem do figurativo, nem do abstrato, nem em relação aos materiais utilizados. É uma fase de imensa vitalidade, de quebra de parâmetros, paradigmas, fronteiras. É a força desse momento que queremos expor”, diz a curadora, que selecionou cinco telas em grande formato, além de desenhos e pinturas sobre papel em formatos menores.

Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, a série revela um aspecto importante da produção do grande artista que foi Angelo de Aquino. “A beleza da obra dele vem da capacidade de se entregar por inteiro ao que fazia. O experimentalismo nele era seminal. Foi um dos precursores da Arte Conceitual, pioneiro da Arte Postal, trabalhou com pintura, desenho, videoarte, além de ser um profundo estudioso da arte contemporânea. Pouca gente sabe, mas ele renovava-se o tempo todo. É preciso sair dos clichês que domam certas produções artísticas atraídas pela gravidade do mercado”, diz Müller.

Angelo de Aquino foi um personagem fundamental para o surgimento e reconhecimento da Arte Conceitual no Brasil. Articulado, criou uma corrente muito ativa, ligando o Brasil ao movimento de vanguarda em vários países. Com imensa capacidade de reflexão, também se dedicou à escrita, principalmente sobre a própria obra. Num de seus cadernos de anotações, cuja folha de rosto informa “Works in progress”, ele escreveu: “Construindo e desconstruindo, o inconstruível, navegando no aberto cosmos que se abre aos olhos e ao vazio”.  Nenhuma fúria, nem alma, nenhuma vertigem, presença, nem grandeza escapam a essas obras eleitas por Eduarda de Aquino para essa exposição no Vale das Videiras.

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