Angella Conte | Verve Galeria

A Verve Galeria exibe “Fiz daqui o meu lugar”, da artista visual Angella Conte, com curadoria de Marcio Harum. Sua primeira individual na galeria apresenta 30 obras – colagem, escultura e videoinstalação -, nas quais aborda a forte presença da ação do homem com relação ao meio ambiente, não com pensamento ativista, mas sim comportamental. Em sua pesquisa, o ser humano é protagonista, e o tempo evoca seu entorno, a paisagem e a memória.

O foco da pesquisa de Angella Conte gira em torno do comportamento humano, suas ações, o meio e o cotidiano. “É um exercício de observação, um olhar sobre os objetos ao meu redor; sobre a cidade, seus entulhos; sobre as pessoas que deixam marcas nos objetos, nas cidades, no campo e na natureza”, comenta a artista. Pautada em histórias, trocas e resquícios, surgem as questões que dão corpo a sua produção artística: “Geralmente elejo um assunto que me incomoda ou que me atrai e parto para materializar o projeto, independente do suporte. O resultado pode ser objeto, fotografia, instalação, vídeo, intervenção ou performance. Para mim não importa o suporte, o que importa é como a mensagem que quero transmitir chegará ao fruidor”, explica.

Angella Conte acredita que processo criativo e disciplina são sinônimos, pois, diariamente, a artista se debruça sobre o trabalho e determina mecanismos para aguçar seu olhar sobre o entorno, sobre pequenos detalhes do cotidiano, a fim de transformar tudo isso em arte. Nos dizeres da artista: “Faz parte do meu processo de construção reaproveitar materiais, e os objetos com os quais trabalho são objetos que encontro ou que me encontram e estão relacionados com o meu cotidiano, com o simbólico deste cotidiano. Assim como imagens provenientes deste cotidiano que formam um arquivo a serem usadas posteriormente”. Neste sentido, a obra “Delicadeza dos dias” utiliza um conjunto de 13 trabalhos produzidos na Holanda, em 2015, para formar uma nova colagem, na qual imagens de paisagens sobrepostas, sempre em corte reto, mesclam as estações do ano e a vegetação daquele país.

Tema recorrente em sua produção, a artista investiga a condição do ser humano que transita entre o desejo e a falta, e o dilema que surge diante de inúmeras oportunidades. “Nada jamais é permanente ou parado, existe um processo de investigação, uma forma de abordar o mundo não como uma série de verdades precisas, mas em termos de questões e possibilidades”, afirma a artista.

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