André Severo | Bolsa de Arte de Porto Alegre

André Severo, Espelho III, 2016

Projeto contemplado com o XV Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2015 e compondo as comemorações do cinquentenário da Pinacoteca Ruben Berta, a exposição ESPELHO de André Severo tem a imagem, o tempo e a memória como elementos latentes de sua estruturação e busca dar testemunho da imponderabilidade da experiência criativa e de sua eminente relação com os condicionantes espaciais e temporais que definem algumas de suas possibilidades de apresentação.

Elaborado através de uma série de fotografias e de vídeos (produzidos a partir de imagens fotográficas) articuladas com uma seleção de pinturas dos acervos das Pinacotecas Ruben Berta e Aldo Locatelli, a instalação insere-se na dinâmica de questionamento entre as instâncias processuais e os suportes de registro dos trabalhos poéticos que André Severo vem realizando (através, principalmente, de produções audiovisuais e do registro fotográfico de performances e ações vivenciadas diretamente na paisagem), e passa a ser também uma investigação sobre as possibilidades associativas e dissociativas de imagens dentro do ambiente expositivo.

Realizada simultaneamente na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre e na Pinacoteca Ruben Berta, em ESPELHO, fotografia, filme, texto, pintura, espaço de articulação, tempo e memória trabalham em conjunto para que as propostas de apropriação, desconstrução e reelaboração de imagens evidenciem o processo associativo de criação e possa alcançar um tipo híbrido de expressão poética – que busca, sobretudo, conjugar as potencialidades específicas das associações entre as pinturas selecionadas e as imagens fotográficas e videográficas de que se utiliza para transformar o espaço e o tempo reais da apresentação em novas possibilidades de representação.

Almejando um desdobramento das dimensões locais e específicas da galeria para a dimensão inexprimível da subjetividade, ESPELHO aposta no imperativo da relação entre imagem e memória (mais especificamente na justaposição entre lembranças próprias e aproximação com imagens de lembranças alheias) como possibilidade de criação de uma noção particular de tempo e espaço – onde o lembrar não figura ser somente voltar-se para as experiências passadas, reevocando e reordenando imagens pessoais reminiscentes, mas, também, um vergar-se sobre rastros de imagens de outrem para entender certas (ou incertas) circunstâncias da própria vida.

Nascida da necessidade de entrega para um processo de rememoração descontinuada da ordem temporalizada; da vontade de trabalhar com imagens importantes na historia individual e mesclá-las com uma seleção de pinturas que representam também as diferentes temporalidades que são a marca de origem da pinacoteca Ruben Berta; e, principalmente, da necessidade de produzir o estranhamento de imagens tendo em conta a possibilidade de recuperar memórias já distantes da consciência, a proposta de ESPELHO intenta extrapolar o contexto imediato de sua instauração e migrar em direção a uma experiência estética de duração – onde a acepção final somente pode se dar através da articulação dos diversos modos com que as fotografias, os filmes, os textos e as pinturas são apreendidos nos dois espaços em que a instalação se instaura.

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