André Lafetá | Galeria Matéria Plástica Arte Atemporânea

A galeria Matéria Plástica – Arte Atemporânea reabre ao público na próxima quarta-feira, 22 de agosto, às 19h, com a mostra “O coisário das coisas”, pinturas em acrílica sobre tela do artista visual André Lafetá.  A exposição fica em cartaz até o dia 5 de outubro, com visitação de quarta a domingo, mediante agendamento pelos telefones (61) 98127-5728 e (61) 33671591. A galeria Matéria Plástica fica no Condomínio Privê Morada Sul Rua 23 Casa R49, Altiplano Leste – Brasília-DF.  A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.

Mineiro de Montes Claros, André Lafetá começou a expor nos anos 1980, após formar-se em Educação Artística pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), São Paulo, instituição onde também foi professor do Departamento de Artes. Em Brasília, foi diretor do Museu de Arte de Brasília (MAB). Em cerca de quatro décadas, André trabalhou com os mais variados meios e suportes, como instalação, escultura, desenho e ocupação artística.

Na mostra que abre na Matéria Plástica, André Lafetá apresenta os desdobramentos da série “O coisário das coisas”, em que a cor desempenha um papel fundamental na construção de uma “poética cromática”, como afirmou o crítico de arte e curador de duas bienais de São Paulo Alberto Beuttenmüller (1936-2016) a respeito da obra do artista. Para André, a figura é apenas uma oportunidade de poder transformá-la pela cor.

“Aprendi a colorir com o Athos Bulcão, com quem trabalhei por dois anos. Vendo-o trabalhar a cor, percebi o quanto é importante buscar as melhores relações entre elas, valores, complementaridade, quentes e frios. A cor me permite fazer quadrados chapados e permite também fazer uma figuração matisseana. Permite fazer objetos sólidos como se fossem objetos pintados, mas não interessa que sejam objetos pintados com cara de ilustração. Tem que haver uma relação cromática”, afirma.

Alberto Beuttenmüller, em seu texto crítico sobre “O coisário das coisas” afirmou que não se trata de uma representação de objetos, estes, disse o curador, não têm vida. “Coisa tem vida e metafisica, ela revivencia o passado e o faz presente”. Alberto propôs olhar com atenção para os objetos da pintura de André Lafetá. “Iremos perceber que estamos diante também de uma arqueologia da memória, da arqueologia de cores incomuns, a alertar-nos que a nossa memória é ruína. ” As figuras de amontoados de objetos que lembram depósitos ou mesmo ferros-velhos, estantes de coleções de antigos ferros de passar a carvão. Os pontos de cor laranja sobre o preto e o marrom denotam a passagem do tempo, como o surgimento da ferrugem. “É a casa materna, a origem, a mistura da casa da mão e da avó. É o útero que se apresenta em minha produção ”, completa o artista.

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