Ana Elisa Egreja | Galeria Leme

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A mostra Jacarezinho 92, segunda exposição individual da artista brasileira Ana Elisa Egreja conta com sete trabalhos de grandes dimensões, produzidos entre 2016 e 2017 e será acompanhada de texto crítico desenvolvido pela curadora independente Julia Lima.

Jacarezinho 92, de Ana Elisa Egreja, é uma espécie de conjunto-ápice, o desdobramento maior de uma pesquisa que já dura alguns anos. As naturezas mortas montadas por trás de chapas de vidro fantasia e fotografadas pela artista que vinham sendo feitas desde 2015, sempre pintadas em pequenos formatos, agora dão lugar à escala da arquitetura.

Egreja ocupou os cômodos da casa de sua avó da década de 1960, tipicamente modernista, em grandes intervenções que transformaram os espaços em palcos para ações efêmeras, situações absurdas, cenas estranhas – a artista encenou uma série de tableaux vivants, fotografou e documentou detalhadamente as pinturas vivas, e as transformou em imensas telas pintadas a óleo em proporções extremamente próximas do real. Se no início de sua produção as composições eram criadas exclusivamente por meios digitais, colecionando e agrupando imagens pesquisadas da internet em montagens no photoshop, nas pequenas naturezas mortas o acúmulo era de objetos e não de arquivos, que tinham de ser garimpados e comprados para a composição de cada trabalho. Agora, nesta nova série, as pequenas “esculturas” que a artista criava e fotografava explodiram para tomar toda a casa onde hoje fica seu ateliê. Papéis de parede, adesivos, animais reais e artificiais, luzes, frutas e legumes, industrializados, tecidos e até obras originais de outros artistas, todos fisicamente existentes no mundo e de origens, tempos e culturas diferentes, foram reunidos pela artista e colocados lado a lado em cada uma das cenas imaginadas, cuidadosamente combinados e posicionados para criar ambientes e atmosferas das mais diversas.

Muitas das telas presentes na exposição sugerem a iminência do movimento, como os polvos prestes a escorregar das torneiras no banheiro cor-de-rosa, ou a ação já lançada, como os passarinhos em pleno voo no ambiente cerrado do closet, quase colidindo com as portas dos armários e janelas. Diante dessas pinturas, praticamente adentramos o espaço e somos transportados para dentro dessas cenas meio congeladas, meio em slow motion, como se inseridos no momento da montagem do cenário fotografado pela artista.

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