Adriano Motta | Galeria Cavalo

Desde 2003, Adriano Motta trabalha sobre os mais variados suportes, como pinturas, desenhos, objetos, pôsteres, livros, zines, vídeos e experimentações sonoras. A partir de 01 de fevereiro suas novas criações poderão ser conferidas na exposição Space Jihad, em cartaz na galeria Cavalo, em Botafogo.

Muito próxima a uma orientação fantástica, a mostra alcança um futuro distópico e de lógica própria, ainda que sem se eximir de pensar o presente. Nessa viagem, Adriano lança um olhar ácido sobre um mundo diverso, bélico e caótico. “Diferentemente da ficção científica, esse trabalho se propõe a avaliar o desenvolvimento humano sem as amarras da racionalização, usando como ferramentas de pesquisa o pânico e a ironia”, diz o artista.

O público poderá conferir 10 obras inéditas, divididas em duas salas. Na primeira serão apresentadas duas pinturas-colagens em grandes dimensões, de 2m x 2,5m, com chapas de metais e suportes de ímãs, onde telas se sobrepõem encobrindo umas às outras, como diferentes browsers da internet. Há ainda um pequeno globo, de 30 cm de diâmetro, criado por Adriano com nanquim, grafite e óleo, inspirado por globos celestes desenvolvidos por Vicenzo Coronelli, no século XV.

A segunda sala abriga o outro globo celeste, mais imponente, com 1 m de diâmetro, que junto com o pequeno, representam duas luas de Júpiter depois da colonização humana. Neste ambiente estão reunidos ainda os desenhos menores, com sobreposições e ímas. Sobre o enigmático título da exposição, Adriano diz: “A palavra Jihad perderá seu sentido original e passará a ser o nome de um passo de dança. Space Jihad será uma boate em forma de globo localizada na não-existência.”

Curador da exposição, o psicanalista e crítico de arte Guilherme Gutman chama atenção para a vasta curiosidade e para a amplitude de interesses do artista. “Tal característica faz com que haja algo renascentista no modo como Adriano constrói o seu trabalho: interesses múltiplos, sem uma hierarquia fixa. Suas telas e seus globos, em particular, ‘retornam do futuro’ para só então obter a sua força crítica sobre o presente”, analisa.

Space Jihad é apenas o primeiro trabalho apresentado Adriano em 2017. Ao longo do ano o artista pretende dar continuidade aos processos apresentados na mostra e seguir com sua produção audiovisual. “Além disso, o Projeto Cavalo, do qual faço parte junto com Cadu, Eduardo Berliner e Paulo Vivacqua, vai retomar suas atividades com uma exposição marcada para o fim do ano”, conta.

Compartilhar: