Adriana Lerner Adelson | Dona Coisa

© Divulgação

Em sua primeira individual no Rio de Janeiro, a artista visual carioca Adriana Lerner Adelson, apresenta a série “Unexpected Cashmere”. Nas obras, uma viagem para a gélida região do norte da Cordilheira do Himalaia, nas paisagens do Tibete, a região mais alta do mundo. Em seus 4.900 metros de altitude se produz, através de tradições milenares, o cashmere.

Em contraponto ao contemporâneo, eletrônico e digital, a pesquisa da artista se desenvolve a partir de um material feito de pelo de cabra, tecido à mão por tecelãs. O projeto, iniciado há um ano, ajudou inclusive a manter em funcionamento uma fábrica de cashmere artesanal, extremamente afetada pelo terremoto de abril de 2015.

Marcado pela fluidez, leveza e organicidade, o cashmere amplia os sentidos e demanda a interação do público com as obras. Flexível ou até camaleônico, ele se transmuta com as nuvens e com objetos cotidianos, criando novos significados.

Assim, a artista sai pelo mundo ocidental e tecnológico em busca desses diálogos com o antigo, o táctil, o simples (porém não menos sofisticado), em tromp l’oeils cotidianos em que trabalha cores, formas e sensações.

Os trabalhos abordam o lúdico, mas também o telúrico: sentir o céu e se enrolar nele; tocar no brilho de pequenas constelações de estrelas; se aventurar na arquitetura dos favos de mel; virar o animal que se liberta das jaulas de um zoológico; e despertar em casulos. Mergulhar no azul índigo e absorver a cor.

Atravessando fronteiras, o cashmere inusitado de Adriana se encontra com os sacos de café feitos de juta brasileira, em um confronto harmônico de texturas. Em outra obra, o tecido em forma de algodão-doce presta uma homenagem à “Café-da-manhã em pele”, xícara surrealista de Meret Oppenheim.

Completa a mostra o trabalho “Jóia Rara Olympics”, de 2016, que mistura o fio de cashmere da Mongólia com metal originalmente retirado de Calcutá (Índia). Em peças escultóricas, a artista cria jóias atemporais que alcançam tons perfeitos das medalhas de ouro, prata e bronze, no mês em que a Cidade Maravilhosa recebe sua primeira Olimpíada.

Toda a pesquisa de Adriana promove a continuidade do artesanato tradicional, onde tudo que é aprendido, trocado e toda conversa geram uma reflexão sobre um mundo baseado na construção coletiva e relações sem fronteiras.

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