A Menina e o Pote | Oi Futuro Flamengo

Um projeto pioneiro e inédito: uma obra multimídia para crianças e adolescentes, construída na interseção entre artes visuais, performance, teatro, dança, documentário e música. Uma instigante experiência sensorial e imersiva que permite ao espectador tanto ocupar o ponto de vista da protagonista, como assisti-la em seu percurso. Assim é A Menina e o Pote, projeto híbrido produzido pela Jurubeba produções, criado e dirigido por Fernanda Bond e Valentina Homem, que ocupa a galeria II do Oi Futuro Flamengo, desde o dia 12 de junho, com temporada até 5 de agosto.

Inspirado no “Conto da Menina Amarela”, de Valentina, a obra narra a história de uma criança e seu grande pote, que um dia se quebra revelando um imenso vazio. Essa narrativa se desdobra em duas experiências artísticas que se interseccionam: uma instalação audiovisual imersiva e uma performance teatral que acontece dentro da instalação, com as atrizes Helena Bittencourt, Nívea Magno (que também assinam uma colaboração na dramaturgia e a direção musical) e Júlia Marini.

A Menina e o Pote é fruto de um processo de criação coletivo e intenso, que contou – durante cinco meses – com a participação dos diversos artistas envolvidos no projeto. O ponto de partida foi uma imersão de seis semanas que resultou na dramaturgia assinada por Fernanda Bond e Jô Bilac, com videoinstalação roteirizada por Valentina Homem.

A dramaturgia é construída na fluidez entre três camadas narrativas, que dialogam constantemente com o audiovisual: as atrizes ora falam como tal, ora como narradoras, ora assumem o lugar da menina e dos seres que permeiam a história. O fio condutor é o processo de transformação da protagonista, que se dá a partir da relação com a natureza e do encontro com as diferenças, principais forças motoras do seu percurso. A instalação imersiva se propõe a trazer a natureza para dentro do espaço expositivo, como um gesto simbólico de reflorestamento, utilizando materiais reaproveitados e tudo que excede em nossos sistemas de produção e consumo.

Visualmente, o percurso é construído a partir de imagens documentais e animações associadas a texturas e luz. Esses elementos são mapeados no espaço, de forma a criar uma unidade visual em constante movimento, dando ao espectador a sensação de estar penetrando em um organismo vivo, que ora é floresta, ora fundo do mar, ora o fundo do pote, o corpo da menina, o universo… A luz é assinada pelo Coletivo Corja, que também colaborou na concepção audiovisual do projeto.

A obra é como uma floresta de fragmentos mortos e sem cor – feita de lixo, sobras, descartes e restos industriais – que ganha vida à medida em que a projeção e a luz tomam conta de suas superfícies. A organização dos materiais segue a lógica construtiva da floresta, com seus padrões, texturas, repetições e propõe um novo entendimento sobre esses elementos: tudo um dia já foi vivo, tudo é natureza.

A projeção das imagens se relaciona narrativamente com a capacidade da menina de lembrar, imaginar… Ao se conectar com suas memórias, ela se torna capaz de projetar um futuro. E o universo natural que a constitui e a rodeia vai ganhando forma. A ausência de projeção traz a experiência do vazio, que se revela quando a imaginação cessa: o acúmulo, o lixo, o plástico, o excesso.

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