23º Cultura Inglesa Festival | Centro Brasileiro Britânico

Exposições de artes visuais do 23º Cultura Inglesa Festival lançam olhar para relação entre tradição e contemporâneo. Os projetos foram escolhidos por meio de edital e serão exibidos no Centro Brasileiro Britânico de 25 de maio a 16 de junho.

O Cultura Inglesa Festival apoia anualmente, por meio de seu Edital, projetos brasileiros de teatro, dança, artes visuais e com inspiração na cultura britânica. Em 2019, as produções de artes visuais ocuparão as três galerias do Centro Brasileiro Britânico de 25 de maio a 16 de junho, com entrada gratuita. Entre instalações artísticas, cerâmicas e obras interativas, as três exposições selecionadas investigam processos de mudanças e exploram a relação entre legados do passado e a contemporaneidade.

A exposição Tudo é Dissimulado retrata a investigação do artista David Magila, que tem como foco principal lançar um olhar mais atento às paisagens da vida cotidiana e lugares inóspitos que carregam uma “arquitetura largada”, transformada pelo tempo, e no possível desejo de conectar uma parcela dos legados da memória sintonizado com a atualidade. Ao reconfigurar e refletir as discussões acerca das políticas de identidade na contemporaneidade, a mostra que é composta por 13 trabalhos nos formatos de pintura, vídeo, desenho e instalação, captura a fragilidade da vida humana e a profunda beleza no cotidiano.

Dentre os lugares explorados, David retrata o parque londrino Parkland Walk através de uma série de desenhos que o artista produziu durante suas visitas ao local. “Na verdade, o local era uma antiga estrada de trem que foi desativada e hoje é um parque com corredor verde. Como era inverno, era um lugar pouco frequentado pelas pessoas, e por isso via a beleza naquele lugar. Comecei a tirar fotos, fazer desenhos e coletar material por puro interesse, sem pretensões.”

Além do parque, o artista desenvolveu uma instalação que retrata a Praia do Leste, um pedaço do litoral paulista que está sendo engolido pelo mar já com casas submersas. O artista coletou elementos do lugar como destroços/ruínas para retratá-lo. O resultado será uma instalação composta por um vídeo de sua pesquisa, esculturas feitas com esse material e alguns moldes em silicone.

Na produção “Tiger, Tiger”, o artista Tiago Mestre apresenta uma exposição que se relaciona com a tradição da cerâmica, na cultura inglesa, desde o surgimento da ideia de “studio pottery”, no início do século XX, até seus desdobramentos mais recentes. Ligada a uma prática mais livre e exploratória da produção de cerâmica e inserida no âmbito da arte contemporânea, a exposição busca encontrar um lugar de negociação entre esse legado histórico, com suas problemáticas, e as novas possibilidades discursivas.

Em Notas de um Sonho, o cartunista Caco Galhardo apresenta uma exposição inspirada na clássica comédia “A Midsummer Night’s Dream” (Sonho de uma Noite de Verão), de William Shakespeare. A exposição reúne as paixões do artista: o humor, a comédia, o teatro e o desenho. Numa releitura do texto da peça de Shakespeare, o artista pinta imagens descritas pelo dramaturgo, assim como utiliza frases dos diálogos de sua obra, explorando essa mescla de conteúdos. “Sonho de uma noite de verão é conhecido como a melhor comédia de Shakespeare, e o meu trabalho tem muito de humor. Foi quase natural juntar e compor um trabalho que reunisse todos esses mundos” diz Caco.

Entre as obras, o público encontra pinturas em papel e acrílico e um painel que o artista pintará diretamente na parede da Galeria do Centro Brasileiro Britânico. Também haverá um espaço interativo (que até o lembra do trabalho de Yoko Ono), com uma bancada com papéis em que as pessoas poderão anotar os seus sonhos de verão. Essas anotações serão colocadas em um painel para compor esses sonhos.

Para Fábio Cypriano, um dos curadores de artes visuais do edital, “O Cultura Inglesa Festival é dos poucos programas permanentes de apoio à produção artística não só na cidade, como no país. Sua importância cresce agora com a diminuição de apoios dos órgãos públicos. Em artes visuais, ele premiou artistas como Odires Mlászho, em 2008, que dois anos depois estaria na Bienal de São Paulo e em seguida representando o Brasil, em Veneza. Entre outros destaques posso citar Henrique Oliveira e (Eduardo) Srur, ambos com presença no circuito nacional e internacional”.  O seleto grupo artístico de curadores da categoria ainda reúne Cláudia Marchetti, artista plástica; Julio Landmann, ex-presidente da Bienal Internacional de São Paulo; Marcelo Araújo, museólogo, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo e atual diretor e curador da Japan House, e Martin Grossman, professor titular da ECA-USP e ex-vice-diretor do MAC (Museu de Arte Contemporânea).

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