CLAUDIO EDINGER | GALERIA LUME

© Claudio Edinger

“Como posso pintar algo lindo depois de ter testemunhado duas guerras mundiais?” foi o que o pintor anglo-irlandês Francis Bacon (1909-1992) se perguntou no pós-guerra, sintetizando a angústia de muitos artistas naquela ocasião. Muitas foram as tentativas de responder àquela questão, em distintas partes do mundo, ao longo do século 20 – e ainda hoje. Para o fotógrafo Cláudio Edinger, a resposta é apenas uma: a beleza, como alimento espiritual e inspiração. É esse elogio à beleza que o artista leva à Galeria Lume, a partir de 21 de julho, na exposição Rio do Céu, individual que reúne 12 fotos aéreas, sob a curadoria de Paulo Kassab Jr e do próprio fotógrafo.

Inédita, a mostra é fruto de uma pesquisa que vem sendo realizada há 15 anos por Edinger na cidade em que nasceu e o inspira a fotografar. “Do céu tudo ganha outra dimensão. É como se os deuses de Olimpo estivessem nos observando. A beleza intoxicante do Rio elimina, ainda que momentaneamente, todos os problemas óbvios de uma grande metrópole”, afirma o artista.

Um dos mais belos cenários que se pode ter para uma cidade, o Rio de Janeiro foi também um dos primeiros locais do Brasil a serem retratados pela fotografia, graças às expedições de fotógrafos estrangeiros – sobretudo europeus – pela então capital do Império, e à importação do maquinário fotográfico francês.

Para a composição das fotos, Edinger valeu-se de uma técnica conhecida como “foco seletivo”, na qual a câmera volta-se a um ponto específico do cenário, aproximando a visão da imagem captada daquela de nossos olhos – se olhássemos com mais atenção, como faz o fotógrafo.

A técnica permite à fotografia ir além da mera representação e ao público uma experiência estética profunda com o objeto retratado, resgatando o vínculo entre arte e beleza, prazer e contemplação. “Dizer que o mundo é só tragédias, é como ir ao Rio de Janeiro e só enxergar favelas e violência. Claro que elas existem, junto com todos os outros problemas. Mas a beleza é fundamental. A arte do século 21 tem que falar disso, com a mesma intensidade que fala de todo resto.”

As informações contidas na agenda são de responsabilidade dos museus e galerias e não representam a opinião da Dasartes.

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