
O Jogo dos sete erros
Depois de realizar em 2010 a exposição Arte brasileira: além do sistema, na qual artistas populares foram expostos ao lado de contemporâneos, a Galeria Estação vem promovendo o encontro entre esses dois mundos. Em O Jogo dos sete erros, a convite da galerista Vilma Eid, o artista Rodrigo Andrade (São Paulo, 1963) se propôs a fazer releituras de obras deRanchinho (Sebastião Theodoro Paulino da Silva – 1923, Oscar Bressane – SP / 2003, Assis – SP). O resultado desta “pictofagia” está reunido na exposição com 10 trabalhos inéditos do artista contemporâneo expostos lado a lado às telas do pintor egresso da cultura de raiz.
Diferentemente de Picasso, que modificou conceitos e formou uma nova escola ao retratar o famoso Almoço na Relva, de Manet, Andrade utilizou-se da apropriação, processo da linguagem contemporânea, e procurou a perfeição em suas releituras do mestre popular. O artista fotografou as obras e projetou as imagens em telas brancas, replicando cada pincelada.
O deslocamento entre as versões é pequeno, sutil. De longe, chegam a ser idênticas, com as mesmas nuances no desenho e as diferenças surgindo apenas num olhar aproximado. O título da exposição, O Jogo dos 7 Erros, parte exatamente dessa semelhança exacerbada, que só revela na camada grossa de tinta, marca característica de Rodrigo Andrade, no olhar aproximado. O musico Toni Belotto, que é de Assis, mesma cidade de Ranchinho, já fez um filme em super 8 sobre o artista e assina texto para o catalogo da exposição.
Sobre Ranchinho
Nascido no interior de São Paulo, filho de bóias-frias, Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o Ranchinho, foi uma criança frágil e fraca, com muita dificuldade para desenvolver-se e aprender. O desenho sempre foi uma prática constante. Com o tempo não parava mais em nenhum trabalho, vivia sempre em casebres abandonados, catando sucata para vender. Por volta de 1970, o escritor e estudioso de arte José Mimessi, ensinou-lhe o manejo do guache e aos poucos sua obra chegou à cidade de São Paulo, provocando o interesse de vários colecionadores, impressionados com as soluções que adota em suas pinturas. Em 2000, convidado por Emanoel Araújo, fez a releitura da tela de Almeida Jr.. “Caipira picando fumo”, de 1893, que integrou na mostra “Almeida Júnior, um artista revisitado”, na Pinacoteca de São Paulo. Ranchinho participou ainda da Bienal Nacional de São Paulo (1976); da Bienal dos 500 anos (2000); da Bienal Naifs do Brasil, Piracicaba, São Paulo (1994) e de inúmeras outras coletivas, entre as quais podem ser destacadas: “Pintura primitiva no Brasil”, Museu Carrillo Gil do México (1980); “40 pintores primitivos”, Museu Guido Viaro, Curitiba 1981 e “O trabalho na pintura popular”, no Museu da Casa Brasileira, São Paulo (1982).
Sobre Rodrigo Andrade
Estudou no Studio of Graphics Arts, em Glasgow, Inglaterra e frequentou o curso livre de gravura e pintura na Escola de Belas Artes de Paris, França. Desde o início de sua carreira, recebeu importantes prêmios em salões nacionais de arte. Participou da 29ª Bienal de São Paulo (SP) em 2010 e recebeu bolsa Vitae de artes plásticas em 2004. A partir de 1986, realizou diversas exposições individuais em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG), e participou de inúmeras exposições coletivas no Brasil e exterior. Em 2000, iniciou uma série de intervenções pictóricas em espaços públicos: Projeto Parede no Museu de Arte Moderna – MAM de São Paulo (SP); Lanches Alvorada, em um bar no centro de São Paulo (SP), e Paredes da Caixa no museu da Caixa Econômica Federal em São Paulo (SP).
O Jogo dos sete erros - Ranchinho e Rodrigo Andrade – 10 pinturas e 10 versões
Abertura: 30 de agosto, às 19h (convidados)
Até 31 de outubro de 2012, de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábados das 11h às 15h – entrada franca.
Galeria Estação (Rua Ferreira de Araújo, 625 – Pinheiros SP | Fone: 11.3813-7253)


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